Energia, construção, turismo, têxtil, automóvel e tecnologias de informação são algumas das áreas de oportunidades de negócio para empresas portuguesas na Turquia, um mercado que regista um forte crescimento económico, de grande dimensão populacional, e que poderá igualmente constituir uma plataforma para os países asiáticos.
No comércio é de realçar que Portugal conseguiu um saldo positivo na balança comercial com a Turquia em 2011, com as exportações a crescerem quase 13 por cento face ao ano anterior.
De acordo com o Fundo Monetário Mundial, em 2011, a Turquia foi a 18ª maior economia mundial com um PIB de cerca de 778 mil milhões de dólares (3,25 vezes maior que o PIB português) e a 7ª maior da região da Europa e Ásia Central.
De acordo com um recente estudo da PWC, até 2050 a economia turca deverá crescer a uma taxa média 5 por cento ao ano e em 2050 deverá ser a 11ª maior economia do mundo. Um outro estudo da Goldman Sachs indica que, entre 2040 e 2050, a economia turca deverá ser a 9ª maior a nível mundial e a 2ª maior da Europa.
O governo turco tem estado a fazer um esforço de modernização da indústria, de forma a exportar mais produtos de capital intensivo e maior valor acrescentado, o que permitirá não só aumentar o valor das exportações como defender a sua indústria exportadora da forte concorrência vinda da Índia e da China.
A cooperação entre empresas de ambos os países pode facilitar a penetração das empresas
portuguesas nos mercados das repúblicas ex-soviéticas situadas na Ásia Central, no norte do Irão e Afeganistão, principalmente em projectos de infra-estruturas e de engenharia civil.
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| Ankara é a capital de um país que se tende a afirmar como uma superpotência europeia |
CONSELHOS ÚTEIS
Apesar de a Turquia ser um país bastante ocidentalizado e de ter uma cultura de negócios muito parecida com a europeia, existem alguns aspectos que se devem ter em conta numa relação de negócios. Eis algumas informações úteis e conselhos de abordagem ao mercado.
- Devido à dimensão, especificidades e dificuldades do mercado turco é recomendável ter um representante, agente ou parceiro no mercado.
- O ritmo e a dinâmica com que os negócios se desenvolvem na Turquia podem ser lentos. As primeiras reuniões são habitualmente mantidas com responsáveis “menos graduados” na organização e, à medida que se vão sucedendo as reuniões e consolidando o relacionamento e a viabilidade do negócio, vai aumentando o nível de responsabilidade e de importância do interlocutor turco. A decisão final é normalmente feita pelo presidente/proprietário da empresa.
- Muito raramente uma empresa turca diz frontalmente “não” ou que “não está interessada”, mesmo que não tenha muito interesse no produto de forma a não “fechar portas”. Um “sim” pode significar muitas vezes “talvez”/“vamos tentar”.
- As relações pessoais são muito importantes para aceder ao mercado turco. As primeiras reuniões devem ser preparadas nessa lógica: conhecimento pessoal; confiança; relacionamento.
- As reuniões de negócios são normalmente precedidas de uma discussão sobre um tema geral (futebol, turismo) podendo envolver perguntas sobre a família.
- Durante as reuniões é servido chá e café que deverá ser aceite como sinal de respeito.
- Dois temas que devem ser evitados durante as conversações: curdos e Chipre.
- Os turcos são comunicadores primariamente vocais e visuais. Assim, é aconselhável preparar apresentações apelativas sobre o produto/serviço/negócio em discussão.
- Os turcos são homens de negócios muito astutos. As propostas de negócio e/ou parceria devem ser muito claras e bem preparadas e devem mostrar quais os benefícios para ambas as partes.
- Durante uma negociação devem arranjar-se argumentos para além dos benefícios financeiros. Pode ser muito útil apresentar argumentos relacionados com “poder”, "influência”, “status”, “honra” e outros aspectos não monetários.
- A barreira da língua é o principal obstáculo no contacto com as empresas e muito em particular com a Administração Pública turca. As empresas devem conhecer a língua ou dispor de tradução fidedigna e competente.
- Sendo a Turquia um país laico, trabalha-se às sextas-feiras sendo o domingo o dia de descanso.
- Nos meses de Julho e Agosto muitos executivos encontram-se de férias, pelo que o melhor é evitar viagens de negócios à Turquia durante esses meses.
- Na impossibilidade de comparecimento ou atrasos, avise sempre o seu anfitrião com antecedência. Em geral, pequenos atrasos são tolerados (até 30 minutos), dada a situação caótica do trânsito nas grandes capitais. Programe com antecedência as suas deslocações, levando em conta a distância e o itinerário.
- A Turquia é um país muito quente no Verão e é normal tirar as gravatas e os casacos durante as reuniões. Aconselha-se os empresários a vestir de modo formal.
- Para além do mercado interno turco, a Turquia é o mercado ideal para entrada das empresas portuguesas, em parceria com empresas turcas, nas economias de países próximos onde as empresas turcas estão muito bem implementadas (Azerbaijão, Turquemenistão, Geórgia, Cazaquistão, Iraque, Irão e algumas regiões da Rússia).
Fonte: João Mota Pinto em Portugal Global Junho 2012






