Com mais de 140 milhões de consumidores e vastos recursos naturais e matérias-primas, onde se destacam o petróleo e o gás natural, a Rússia acaba de aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC), abrindo assim a sua economia aos restantes países membros. Para Portugal e para as empresas portuguesas, a adesão à OMC poderá alargar o leque de oportunidades de negócio naquele mercado.
Oportunidades para as empresas portuguesas
Com mais de 140 milhões de consumidores, em que 10 a 15 por
cento da população têm um grande poder de compra, uma classe média com grande
propensão para o consumo, e sendo o mercado russo considerado, para breve, o
maior mercado de consumo da Europa, Portugal dispõe aqui de oportunidades em
vários sectores da oferta nacional, potenciando o aumento das exportações
nacionais.
Referimos, de seguida, os principais sectores que
consideramos de oportunidade para as empresas portuguesas que queiram apostar
no mercado russo.
Produtos Alimentares; Produtos Farmacêuticos; Confecção e Têxteis-lar;
Calçado e Mobiliário:
Mercado muito concorrencial e de grande absorção de bens
alimentares, prevendo-se um aumento das importações em 40 por cento. Os produtos
portugueses têm vantagens em termos de qualidade/preço.
Os produtos farmacêuticos ocupam o 4º lugar nas importações
russas, os produtos estrangeiros dominam o mercado com dois terços do consumo
interno (os maiores exportadores são a Alemanha, França e Suíça).
Com o aumento do poder de compra, o cliente russo torna-se
cada vez mais exigente na sua escolha, incidindo a procura sobre a qualidade e
o design.
As empresas devem aproveitar os canais de distribuição
existentes, promover os produtos nas revistas da especialidade e participar em
feiras do sector.
Máquinas e Equipamentos; Veículos e outro Material de Transporte;
Moldes; Produtos Tecnologicamente Inovadores:
O crescente aumento das importações de equipamentos quer
mecânicos (maior importação russa) quer eléctricos (3ª maior importação), enquadram-se
na política de desenvolvimento do país e no investimento em novas indústrias ou
na modernização de fábricas.
Os moldes apresentam grandes oportunidades, sendo os maiores
fornecedores do país a Alemanha, Coreia do Sul e Itália, enquanto Portugal
ocupa o 7º lugar.
Telecomunicações; Tecnologias de Informação e Sector
Energético:
Previsão de um forte crescimento no sector das tecnologias
de informação, que rondará os 35 por cento.
A estratégia de penetração no mercado deve passar pela identificação
de potenciais parceiros e pela participação conjunta em projectos locais.
O sector energético é um dos sectores prioritários de
desenvolvimento e de aposta do governo russo.
Construção e obras públicas; projectos e materiais de
construção:
A ter em atenção a organização do Campeonato
do Mundo de Futebol 2018, que implica a modernização e construção de novas
infra-estruturas.
A Rússia acolherá pela primeira vez na sua história um
Mundial de Futebol, planeando despender cerca de 15 mil milhões de euros na
preparação, organização e realização deste evento. Serão onze as cidades que acolherão
o Mundial’2018: Moscovo, que contará com dois estádios (Lujniki e Spartak), S.
Petersburgo, Ekaterinburgo, Kalininegrado, Kazan, Nijni Novgorod,
Rostov-na-Donu, Samara, Saransk, Sotchi e Volgogrado.
A fileira HoReCa, o turismo e o investimento imobiliário são
áreas onde igualmente as empresas portuguesas poderão encontrar oportunidades
de negócio na Rússia.
Recorde-se que as principais cidades russas são Moscovo e S.
Petersburgo, que juntas representam aproximadamente 20 milhões de consumidores
com rendimentos superiores à média na Rússia, oferecendo boas infra-estruturas,
boas acessibilidades internas e externas, e destacando-se por serem os pólos
mais atractivos para a actividade económica.
Moscovo é ainda o centro de decisões políticas e económicas
e acolhe as feiras mais importantes da Federação Russa.
São, no entanto, de referir outras cidades que pela sua
dimensão (com mais de um milhão de habitantes) poderão vir a ser alvos
potenciais para a realização de actividades de promoção das empresas
portuguesas e respectivos produtos e serviços, nomeadamente: Ekaterinburgo
(1.350.000 hab.), Nizhny Novgorod (1.250.000 hab.), Samara (1.170.000 hab.),
Omsk 1.160.000 hab.), Kazan (1.145.000 hab.), Chelyabinsk (1.130.000 hab.),
Rostov-na-Donu (1.100.000 hab.), Ufa (1.070.000 hab.) e Volgogrado (1.025.000
hab.).
O Centro de Negócios da AICEP em Moscovo disponibiliza às
empresas portuguesas que apostem no mercado russo informação económica e
estatística, informação sectorial e sobre oportunidades de negócio,
identificação de potenciais importadores, informação sobre feiras e salões
internacionais e apoio na sua participação, informação sobre os aspectos regulamentares
mais importantes, apoio na organização de visitas de empresas portuguesas ao mercado
e marcação de reuniões, e apoio às missões empresariais e mostras de produtos.
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| Vista do Kremlin (fonte: http://temavercomigo.com/tag/dicas-de-moscow/) |
Ambiente de negócio na Rússia
Dificuldades no acesso ao mercado russo
- Língua.
- Concorrência crescente dos
parceiros estrangeiros tradicionais.
- Falta de informação qualificada
sobre os parceiros locais.
- Acesso à informação sectorial.
- Falta de transparência e grande burocracia
(processos na administração pública, obtenção de certificações, dispersão de
competências entre diferentes serviços, etc.).
- Interpretação da legislação local (enquadramentos
regulamentares e normativos).
- Compreensão do funcionamento de
algumas entidades ligadas ao comércio externo (Alfândega, por exemplo).
- Desalfandegamento de mercadorias e
amostras.
Facilidades de entrada na Rússia
A Rússia dispõe de uma vasta rede de infra-estruturas
(rodoviária e ferroviária). A utilização da maioria das estradas é gratuita. No
que respeita ao transporte ferroviário, as ligações entre Moscovo e as maiores
cidades do país são frequentes, sobretudo com S. Petersburgo. Em Dezembro de
2009 foi inaugurada a ligação de alta velocidade entre Moscovo e S. Petersburgo
(700 quilómetros de percurso, em 3h45).
Devido às grandes distâncias a percorrer, o avião continua a
ser o meio de transporte mais comum. Nos últimos anos, apareceram numerosas companhias
locais que fazem as ligações internas. A região de Moscovo é servida por cinco
aeroportos, dos quais três são aeroportos internacionais com ligações diárias
para quase todas as capitais europeias, incluindo Lisboa através da TAP, com
cinco voos semanais.
Conselhos às empresas
- A abordagem ao mercado deve ser feita, preferencialmente, em
língua russa. É igualmente possível comunicar em inglês; no entanto, não sendo
uma língua correntemente utilizada poderão surgir dificuldades no processo da
comunicação. Outros idiomas como o alemão, francês, espanhol, são pouco
falados. Nas reuniões, é aconselhável fazer-se acompanhar de um intérprete de
português - russo.
- Procure marcar as suas reuniões com algum tempo de
antecedência (mínimo: um mês).
- É muito importante estar bem preparado para as reuniões
relativamente ao produto, preços, condições de pagamento, quantidades e prazos
de entrega, sendo sempre preferível apresentar toda a documentação em russo.
Obtenção prévia de informação sobre o sector.
- Apostar na qualidade e design dos produtos destinados à
população com grande poder de compra.
- Participação ou visita a feiras: numa grande metrópole como
Moscovo é aconselhável como primeiro contacto com o mercado e para dar visibilidade
aos seus produtos.
- Presença assídua no mercado: o contacto pessoal é
incontornável na “cultura de negócios” russa.
- Convite a importadores para visitar Portugal como forma de
apresentação dos seus produtos e da empresa.
- Procurar parcerias locais para dar solidez à oferta,
reunindo o maior conhecimento possível sobre o parceiro em causa e sobre o
papel estratégico do parceiro (conhecedor do sector, experiência de importação,
acesso a rede de distribuição e meios logísticos necessários, rede de contactos
como alfândegas, institucionais e administrativos).
- Clarificar todos os termos dos contratos incluindo condições
seguras de pagamento para evitar disputas posteriores.