Potencialidades de negócio na Rússia

segunda-feira, 26 de novembro de 2012



Com mais de 140 milhões de consumidores e vastos recursos naturais e matérias-primas, onde se destacam o petróleo e o gás natural, a Rússia acaba de aderir à Organização Mundial do Comércio (OMC), abrindo assim a sua economia aos restantes países membros. Para Portugal e para as empresas portuguesas, a adesão à OMC poderá alargar o leque de oportunidades de negócio naquele mercado.


Oportunidades para as empresas portuguesas


Com mais de 140 milhões de consumidores, em que 10 a 15 por cento da população têm um grande poder de compra, uma classe média com grande propensão para o consumo, e sendo o mercado russo considerado, para breve, o maior mercado de consumo da Europa, Portugal dispõe aqui de oportunidades em vários sectores da oferta nacional, potenciando o aumento das exportações nacionais.
Referimos, de seguida, os principais sectores que consideramos de oportunidade para as empresas portuguesas que queiram apostar no mercado russo.


Produtos Alimentares; Produtos Farmacêuticos; Confecção e Têxteis-lar; Calçado e Mobiliário:


Mercado muito concorrencial e de grande absorção de bens alimentares, prevendo-se um aumento das importações em 40 por cento. Os produtos portugueses têm vantagens em termos de qualidade/preço.
Os produtos farmacêuticos ocupam o 4º lugar nas importações russas, os produtos estrangeiros dominam o mercado com dois terços do consumo interno (os maiores exportadores são a Alemanha, França e Suíça).
Com o aumento do poder de compra, o cliente russo torna-se cada vez mais exigente na sua escolha, incidindo a procura sobre a qualidade e o design.
As empresas devem aproveitar os canais de distribuição existentes, promover os produtos nas revistas da especialidade e participar em feiras do sector.

Máquinas e Equipamentos; Veículos e outro Material de Transporte; Moldes; Produtos Tecnologicamente Inovadores:


O crescente aumento das importações de equipamentos quer mecânicos (maior importação russa) quer eléctricos (3ª maior importação), enquadram-se na política de desenvolvimento do país e no investimento em novas indústrias ou na modernização de fábricas.
Os moldes apresentam grandes oportunidades, sendo os maiores fornecedores do país a Alemanha, Coreia do Sul e Itália, enquanto Portugal ocupa o 7º lugar.

Telecomunicações; Tecnologias de Informação e Sector Energético:


Previsão de um forte crescimento no sector das tecnologias de informação, que rondará os 35 por cento.
A estratégia de penetração no mercado deve passar pela identificação de potenciais parceiros e pela participação conjunta em projectos locais.
O sector energético é um dos sectores prioritários de desenvolvimento e de aposta do governo russo.

Construção e obras públicas; projectos e materiais de construção:


A ter em atenção a organização do Campeonato do Mundo de Futebol 2018, que implica a modernização e construção de novas infra-estruturas.
A Rússia acolherá pela primeira vez na sua história um Mundial de Futebol, planeando despender cerca de 15 mil milhões de euros na preparação, organização e realização deste evento. Serão onze as cidades que acolherão o Mundial’2018: Moscovo, que contará com dois estádios (Lujniki e Spartak), S. Petersburgo, Ekaterinburgo, Kalininegrado, Kazan, Nijni Novgorod, Rostov-na-Donu, Samara, Saransk, Sotchi e Volgogrado.
A fileira HoReCa, o turismo e o investimento imobiliário são áreas onde igualmente as empresas portuguesas poderão encontrar oportunidades de negócio na Rússia.
Recorde-se que as principais cidades russas são Moscovo e S. Petersburgo, que juntas representam aproximadamente 20 milhões de consumidores com rendimentos superiores à média na Rússia, oferecendo boas infra-estruturas, boas acessibilidades internas e externas, e destacando-se por serem os pólos mais atractivos para a actividade económica.
Moscovo é ainda o centro de decisões políticas e económicas e acolhe as feiras mais importantes da Federação Russa.
São, no entanto, de referir outras cidades que pela sua dimensão (com mais de um milhão de habitantes) poderão vir a ser alvos potenciais para a realização de actividades de promoção das empresas portuguesas e respectivos produtos e serviços, nomeadamente: Ekaterinburgo (1.350.000 hab.), Nizhny Novgorod (1.250.000 hab.), Samara (1.170.000 hab.), Omsk 1.160.000 hab.), Kazan (1.145.000 hab.), Chelyabinsk (1.130.000 hab.), Rostov-na-Donu (1.100.000 hab.), Ufa (1.070.000 hab.) e Volgogrado (1.025.000 hab.).
O Centro de Negócios da AICEP em Moscovo disponibiliza às empresas portuguesas que apostem no mercado russo informação económica e estatística, informação sectorial e sobre oportunidades de negócio, identificação de potenciais importadores, informação sobre feiras e salões internacionais e apoio na sua participação, informação sobre os aspectos regulamentares mais importantes, apoio na organização de visitas de empresas portuguesas ao mercado e marcação de reuniões, e apoio às missões empresariais e mostras de produtos.

Vista do Kremlin (fonte: http://temavercomigo.com/tag/dicas-de-moscow/)

Ambiente de negócio na Rússia


Dificuldades no acesso ao mercado russo


  • Língua.
  • Concorrência crescente dos parceiros estrangeiros tradicionais.
  • Falta de informação qualificada sobre os parceiros locais.
  • Acesso à informação sectorial.
  • Falta de transparência e grande burocracia (processos na administração pública, obtenção de certificações, dispersão de competências entre diferentes serviços, etc.).
  • Interpretação da legislação local (enquadramentos regulamentares e normativos).
  • Compreensão do funcionamento de algumas entidades ligadas ao comércio externo (Alfândega, por exemplo).
  • Desalfandegamento de mercadorias e amostras.



Facilidades de entrada na Rússia


A Rússia dispõe de uma vasta rede de infra-estruturas (rodoviária e ferroviária). A utilização da maioria das estradas é gratuita. No que respeita ao transporte ferroviário, as ligações entre Moscovo e as maiores cidades do país são frequentes, sobretudo com S. Petersburgo. Em Dezembro de 2009 foi inaugurada a ligação de alta velocidade entre Moscovo e S. Petersburgo (700 quilómetros de percurso, em 3h45).
Devido às grandes distâncias a percorrer, o avião continua a ser o meio de transporte mais comum. Nos últimos anos, apareceram numerosas companhias locais que fazem as ligações internas. A região de Moscovo é servida por cinco aeroportos, dos quais três são aeroportos internacionais com ligações diárias para quase todas as capitais europeias, incluindo Lisboa através da TAP, com cinco voos semanais.

Conselhos às empresas


  • A abordagem ao mercado deve ser feita, preferencialmente, em língua russa. É igualmente possível comunicar em inglês; no entanto, não sendo uma língua correntemente utilizada poderão surgir dificuldades no processo da comunicação. Outros idiomas como o alemão, francês, espanhol, são pouco falados. Nas reuniões, é aconselhável fazer-se acompanhar de um intérprete de português - russo.
  • Procure marcar as suas reuniões com algum tempo de antecedência (mínimo: um mês).
  • É muito importante estar bem preparado para as reuniões relativamente ao produto, preços, condições de pagamento, quantidades e prazos de entrega, sendo sempre preferível apresentar toda a documentação em russo. Obtenção prévia de informação sobre o sector.
  • Apostar na qualidade e design dos produtos destinados à população com grande poder de compra.
  • Participação ou visita a feiras: numa grande metrópole como Moscovo é aconselhável como primeiro contacto com o mercado e para dar visibilidade aos seus produtos.
  • Presença assídua no mercado: o contacto pessoal é incontornável na “cultura de negócios” russa.
  • Convite a importadores para visitar Portugal como forma de apresentação dos seus produtos e da empresa.
  • Procurar parcerias locais para dar solidez à oferta, reunindo o maior conhecimento possível sobre o parceiro em causa e sobre o papel estratégico do parceiro (conhecedor do sector, experiência de importação, acesso a rede de distribuição e meios logísticos necessários, rede de contactos como alfândegas, institucionais e administrativos).
  • Clarificar todos os termos dos contratos incluindo condições seguras de pagamento para evitar disputas posteriores.

Fonte: Maria José Rézio em Portugal Global Outubro 2012

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